A cidade de Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina, realizou neste domingo uma caminhada silenciosa contra o feminicídio, em memória de Daiane Simão da Costa, vítima do crime aos 33 anos.
A mobilização teve início na Praça Lauro Zimmermann, no bairro Praia Alegre, com concentração às 9h45 e saída às 10h. Vestidos de preto e em silêncio, os participantes percorreram o trajeto como forma de luto, denúncia e pedido por justiça.
De acordo com os organizadores, o silêncio adotado durante a caminhada não representa omissão, mas um gesto simbólico de protesto. “Cada passo é memória. Cada vela é um grito contido. Cada flor é um nome que não pode ser esquecido”, destacaram durante o ato.
Segundo a organização, a mobilização teve como principal objetivo manter viva a memória de Daiane Simão da Costa, dar visibilidade às vítimas de feminicídio e chamar a atenção da sociedade e do poder público para a gravidade da violência contra a mulher.
Além da homenagem, o ato buscou romper o silêncio que muitas vezes envolve esses crimes, incentivar denúncias, fortalecer a rede de apoio às mulheres em situação de violência e cobrar políticas públicas mais efetivas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.
Os organizadores ressaltaram ainda que a caminhada também tem caráter educativo e de conscientização, ao reforçar que o feminicídio não é um fato isolado, mas um problema estrutural, que precisa ser enfrentado com informação, educação, acolhimento às vítimas e ações concretas do Estado.
“Não caminhamos apenas por Daiane, mas por todas as mulheres que tiveram suas vidas interrompidas. Caminhamos para dizer que nenhuma morte será normalizada e que cada nome importa”, reforçou o coletivo durante a manifestação.
Memória que se transforma em luta
Daiane tinha 33 anos. Tinha uma história, vínculos, sonhos, uma vida inteira que não pode ser reduzida a uma linha em um gráfico ou a um número em uma estatística. Ela foi vítima de feminicídio — e dizer isso não é apenas informar um fato, é assumir um compromisso com a memória e com a responsabilidade coletiva.

Daiane Simão da Costa teve a vida interrompida de forma violenta, deixando marcas profundas em familiares, amigos e na comunidade. Durante o ato, cartazes e mensagens trouxeram frases como “basta de feminicídio”, “nenhuma morte será naturalizada” e “justiça para Daiane”, reforçando o pedido por mudanças e por mais proteção às mulheres.
A organização informou que novas mobilizações e ações de conscientização devem ser realizadas, mantendo viva a memória das vítimas e fortalecendo a luta contra a violência de gênero no município e na região.

Relembre o caso
Daiane Simão da Costa foi morta a tiros na manhã de 17 de janeiro deste ano, em Balneário Piçarras. Ela tinha 33 anos e era mãe de quatro filhos.
O crime aconteceu por volta das 6h, quando Daiane seguia de carro para o trabalho, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Durante o trajeto, ela percebeu que estava sendo seguida pelo ex-companheiro, que estava em uma motocicleta.
Daiane possuía medida protetiva de urgência contra o suspeito. Ao notar a perseguição, decidiu mudar o caminho habitual e foi até uma base da Polícia Militar para tentar pedir ajuda.
No entanto, assim que estacionou o veículo em frente ao pelotão, o homem se aproximou e efetuou diversos disparos. A vítima ainda tentou buscar socorro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Após o ataque, o autor dos disparos tentou tirar a própria vida com um tiro na cabeça. Ele foi socorrido em estado grave e encaminhado ao hospital.
O suspeito, de 42 anos, natural do Rio Grande do Sul, possuía registros por ameaça contra a mulher, injúria, lesão corporal, descumprimento de medida protetiva, tráfico de drogas e dirigir sob efeito de álcool. Ele havia deixado o sistema prisional apenas quatro dias antes do crime, após receber o benefício da saída temporária.
O caso foi enquadrado como feminicídio e investigado pela Polícia Civil.

