A Defesa Civil de Santa Catarina informa que o estado deve sentir os efeitos do El Niño mais cedo do que o esperado. O fenômeno, previsto para a primavera, está se desenvolvendo com maior rapidez e já deve dar sinais em julho, ainda no inverno. A conclusão foi apresentada no 241º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas e pesquisadores de diferentes instituições.

O El Niño é caracterizado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico na região próxima à linha do Equador. Esse aquecimento precisa atingir pelo menos 0,5°C acima da média e se manter por vários meses, condição que interfere diretamente na formação de nuvens e na distribuição de chuvas na região tropical do Pacífico.

A formação do fenômeno entre o inverno e a primavera deste ano já é consenso entre os especialistas do Fórum, com mais de 80% de chance de se estabelecer no trimestre de junho, julho e agosto. Ao longo desse período, ele deve ganhar força, com expectativa de atingir forte intensidade na primavera, quando as anomalias no Oceano Pacífico Equatorial devem superar 1,5°C.

De forma geral, o El Niño provoca chuvas acima da média e temperaturas mais elevadas do que o esperado para o período. Neste inverno, isso significa precipitações mais frequentes e menos frio do que o habitual para a estação. O período de maior impacto no Sul do Brasil, entretanto, ocorre entre setembro, outubro e novembro, quando as chuvas tendem a aumentar de forma ainda mais expressiva.

“É importante destacar que um El Niño forte não implica, necessariamente, na ocorrência de eventos extremos. No entanto, a atmosfera fica mais favorável à ocorrência desses eventos”, informa a Defesa Civil de SC.

O que esperar nos próximos meses

Para os próximos meses, a tendência é de mudança gradual. Em maio, as chuvas seguem irregulares e com volumes ainda abaixo do esperado para o período, mesmo com a passagem frequente de frentes frias e ciclones extratropicais.

A virada de tempo se torna mais evidente a partir de junho, com aumento da frequência de instabilidades em Santa Catarina. Em anos típicos, os acumulados para junho e julho variam entre 100 mm e 150 mm na maior parte do estado, superando esse patamar no Grande Oeste. Para este ano, as projeções indicam chuvas mais frequentes e temporais mais intensos, com volumes que podem ultrapassar esses valores em grande parte do território catarinense.

Quanto às temperaturas, a partir de maio ocorre um declínio gradual com as primeiras incursões de massas de ar frio mais significativas do ano. Junho tende a ser um dos meses mais rigorosos, com mínimas abaixo de 10°C frequentes e máximas que costumam permanecer próximas dos 20°C. Ao longo deste trimestre, entretanto, os episódios de frio devem ser menos frequentes e mais passageiros do que o habitual.

Defesa Civil de SC intensifica ações

A Defesa Civil de SC informa ainda que intensificou as ações de preparação em todo o estado diante do cenário previsto com a formação do El Niño. O Vale do Itajaí, região mais afetada pelo fenômeno em 2023, conta hoje com três barragens de contenção de cheias em condições de operação. A Barragem Sul, em Ituporanga, passou por revitalização completa, com substituição de equipamentos, modernização e automação do sistema de acionamento.

A rede de monitoramento também foi expandida e conta atualmente com 172 estações meteorológicas e hidrológicas distribuídas pelo território catarinense, além de quatro radares em operação. O quadro técnico foi reforçado com a ampliação de 25% na equipe de meteorologistas e a incorporação de um profissional adicional ao serviço de previsão hidrológica.

Na área de capacitação, coordenadores regionais participaram de treinamentos em Sistema de Comando em Operações e gestores municipais receberam formação em Gestão de Desastres. Santa Catarina realizou ainda duas edições de simulados gerais, em maio de 2025 e março de 2026, para testar protocolos e a resposta integrada entre os diferentes níveis de governo.

A Defesa Civil de SC reforça que a população deve acompanhar as atualizações das condições do tempo e seguir as orientações divulgadas nos canais oficiais.