O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concluiu, nesta semana, o encerramento das atividades de um estabelecimento situado em Xanxerê (SC) que criava e comercializava macacos-prego, saguis e outras espécies da fauna brasileira. No local, foram constatadas graves situações de maus-tratos. O criadouro funcionou por força de liminar judicial por mais de uma década.

2026 04 10 Macaco Prego Resgatado Apresenta Medo Exacerbado

Do local, já haviam sido retirados 167 animais, sendo 126 aves e 41 primatas, os quais foram levados para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) situados em Brasília (DF), Lorena (SP) e Porto Alegre (RS), no ano passado. Dessa vez, para a retirada dos 26 macacos-prego remanescentes, foi necessária a expedição de mandado judicial para ingresso na propriedade, diante da obstrução imposta pelo autuado às equipes de fiscalização.

Os animais apreendidos foram encaminhados a instituições especializadas em reabilitação física e comportamental, situadas em outro estado, com apoio logístico da Polícia Rodoviária Federal. A ação contou ainda com o apoio do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), da Polícia Militar Ambiental e de outras instituições parceiras.

“O encerramento desse estabelecimento, que operava sem o devido licenciamento ambiental, amparado apenas por decisão judicial posteriormente revogada, representa uma importante vitória para a proteção das espécies do gênero Sapajus no Brasil, algumas das quais ameaçadas de extinção”, declara o superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo Maués.

Funcionamento irregular e flagrante de maus-tratos

De acordo com uma das fiscais do Ibama envolvidas na apreensão dos animais, “o criadouro funcionava apenas para a reprodução dessas espécies, visando ao lucro com a exploração desses animais, tratando-os como meras mercadorias”. Além disso, o estabelecimento não atendia às normas de estrutura definidas pelo Ibama, nem garantia o mínimo de bem-estar para os espécimes.

Durante a vigência da liminar que permitiu o funcionamento do criadouro de 2013 a 2024, o estabelecimento declarou a venda de 240 primatas, sendo 86 macacos-prego e 154 saguis, com valores que ultrapassavam R$ 100 mil por animal.

Com a cassação da liminar, o Ibama iniciou, em 2024, o processo de desativação do criadouro, onde foram constatadas graves irregularidades, incluindo situações de maus-tratos. Os animais eram mantidos em pequenas gaiolas, que não possibilitavam espaço suficiente para movimentos básicos dos macacos, como a escalada. Foram observados ainda quadros de desnutrição funcional, sinais de estresse crônico, privação de luz solar e a separação precoce de filhotes e suas mães.

“Esses macacos apresentavam alto grau de comportamento típico de estresse, de cativeiro inadequado. O manejo desses animais era feito na base do terror, com jatos d’água de alta pressão. Todos tinham sintomas de aversão a pessoas, demonstrando um medo exacerbado”, relata a fiscal. Segundo ela, o estresse era tão elevado, que eles já não desenvolviam mais os comportamentos esperados para a espécie, como a estruturação hierárquica de grupos.

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Novo lar: macaco-prego em recinto amplo e com ambientação adequada

Um novo lar

Agora, os últimos primatas resgatados estão abrigados em uma instituição especializada em reabilitação de fauna, a qual dispõe de amplos recintos, com terra, vegetação e estrutura para escalada. “Além da ambientação adequada, já estão sendo fornecidos todos os nutrientes e exercícios necessários para o restabelecimento das condições de saúde desses animais, para que possam voltar a se expressar e se comportar conforme o previsto para a espécie”, acrescenta a servidora.

“Daqui pra frente, no novo lar, eles terão a oportunidade de compor bandos e viver socialmente, o que é fundamental para qualquer primata”, acredita a fiscal do Ibama. “Eles serão tratados com respeito para que possam recuperar a sua dignidade”, conclui.

Domesticação de primatas não é recomendada

A criação de macacos-prego como animais de estimação não é recomendada pelos órgãos ambientais, tendo em vista sua inadequação ao ambiente doméstico, o que compromete seus comportamentos naturais e frequentemente resulta em manejo abusivo, maus-tratos e riscos sanitários relevantes.

Reportagem: Assessoria de Comunicação Social do Ibama