Às vésperas do Natal, quando o ano começa a se despedir e a esperança costuma ganhar novo fôlego, uma audiência transformou-se em um momento simbólico na comarca de Rio do Sul. Na sexta-feira (12), uma adolescente de 17 anos recebeu um presente especial – o reconhecimento formal de um vínculo construído com afeto, cuidado e escolha.
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A jovem estava acolhida desde 2019 e, ao longo dos anos, houve tentativas de colocação em família substituta, sem sucesso. Com a maioridade se aproximando – ela completa 18 anos em abril -, o futuro parecia apontar para a saída da instituição de acolhimento sem a formalização de uma família.

A audiência foi marcada por emoção e sensibilidade. “As tratativas da adoção vinham ocorrendo de longa data, mas foram levadas a efeito somente agora em razão da decisão da pessoa interessada na adoção. Foi uma adoção fora do cadastro em razão da inexistência de interessados. Havia forte vínculo entre a adotante e a adotada. A audiência foi muito emocionante e representou um maravilhoso compromisso de caridade e amor por parte da mãe”, destacou o juiz Marcio Preis, titular da Vara da Família, Órfãos, Sucessões e Infância e Juventude, ao ressaltar a felicidade com o desfecho e a sorte da adolescente.
Para a adotante, a adoção foi a confirmação de um laço que já existia. Mara Raquel Pires de Lima, que havia adotado, em outro momento, o irmão da adolescente, conta que a aproximação começou anos antes, quando conheceu os irmãos ainda no abrigo, e que o afeto foi crescendo com o tempo, durante visitas e passeios. “Ano passado ela me chamou de mãe, me deu um arrepio”, recorda, dizendo ter se questionado se aquilo era um sinal.
Em dezembro, a decisão amadureceu e a adotante optou por formalizar a relação, compreendendo a importância jurídica e simbólica de reconhecer, também no papel, aquilo que já existia na vida. Mara compartilha que a reação da adolescente ao saber da adoção foi de alegria imediata. “Ela queria muito. Quando perguntei se queria ser minha filha, ela respondeu: ‘Quero muito, peço isso a Deus todos os dias’. Eu disse que ela já era minha filha e que agora seria para sempre, todos juntos”, compartilha.
Para a mãe, agora de três, a adoção tardia reafirma que vínculos verdadeiros não têm prazo. “Às vezes dá medo, mas eles sempre dizem: ‘A gente dá um jeito, mãe’. E é isso. Deus sempre sabe o que a gente precisa na nossa vida, e eu sempre quis ter uma família grande”, compartilha Mara, que é motorista de carreta e faz questão de destacar o orgulho pela profissão. “Sou uma mãe guerreira, batalho muito para dar o melhor aos meus filhos.”
Divulgação: TJSC
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