Uma moradora de Sentinela do Sul, no Sul do Rio Grande do Sul, acionou a Brigada Militar (BM) por volta das 3h30 da madrugada de sexta-feira (23) para relatar uma possível tentativa de invasão em sua residência. Segundo o chamado, um indivíduo estaria forçando a porta da casa, o que motivou o pedido de atendimento com urgência.
De acordo com o relato da mulher, ela e o filho teriam escutado arranhões nas paredes, tentativas de acesso ao telhado e uivos vindos do lado de fora da residência. Ainda conforme os moradores, situações semelhantes estariam ocorrendo desde 2023.
A guarnição se deslocou até o endereço informado e realizou buscas no pátio e nas proximidades do imóvel, mas não encontrou sinais de arrombamento nem qualquer pessoa suspeita no local.
Após a verificação, os policiais conversaram com a moradora e com o filho dela, que é deficiente visual, para obter mais detalhes sobre o suposto invasor. A mulher afirmou que se tratava de um “lobisomem”, versão que foi confirmada pelo filho, que relatou que a suposta criatura os atormentaria há anos.
No boletim de atendimento registrado pela guarnição, os policiais utilizaram termos irônicos ao se referirem à situação, mencionando inclusive que não dispunham da ajuda de “Van Helsing”, personagem fictício conhecido como caçador de monstros.
Diante da repercussão do caso, o Comando Regional de Polícia Militar do Centro-Sul divulgou nota oficial informando que a redação do boletim está sendo apurada, por conter “expressões não condizentes com os valores e a ética policiais-militares previstos na Lei Complementar nº 10.990/97”.
Segundo a corporação, o objetivo da apuração é aprofundar a análise das circunstâncias, identificar eventuais responsabilidades e adotar as medidas cabíveis.
Ainda conforme a Brigada Militar, a guarnição foi acionada para atender uma ocorrência de possível tentativa de invasão e, após a averiguação no local, não foi constatada nenhuma situação real de ameaça ou presença suspeita.
“Foi informado pelos solicitantes que o fato estaria relacionado a uma figura de caráter folclórico, sem indícios concretos de perigo. Diante disso, a ocorrência foi encerrada após orientação, permanecendo a possibilidade de novo acionamento em caso de situação real que demande intervenção policial”, informou a BM em nota.
A corporação reforçou que segue analisando o caso internamente quanto à conduta adotada no registro da ocorrência.
