O mês de janeiro terminou com a atuação de temporais intensos em diversas regiões de Santa Catarina. Entre a tarde e a noite de ontem, sábado (31), o leste catarinense foi atingido por fortes tempestades, conforme previsão da Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SDC/SC).
De acordo com a Gerência de Monitoramento e Alerta (GEMAL), as instabilidades foram provocadas pela combinação de calor intenso, alta umidade e a presença de uma área de baixa pressão associada a ventos mais fortes em diferentes níveis da atmosfera, condição conhecida como cisalhamento vertical do vento. Esse cenário favoreceu a rápida intensificação das tempestades, com registro de muitos raios, granizo severo, rajadas de vento e chuva pontualmente intensa.
No interior do município de Bom Retiro, no Planalto Sul, a atuação de uma supercélula, tipo de tempestade caracterizada por rotação, favoreceu a formação de uma nuvem funil. Imagens do fenômeno mostram claramente a rotação da nuvem, porém sem contato com o solo. Segundo os meteorologistas, não houve registro de danos ou marcas provocadas pelo vento. Como o sistema não tocou o chão, o fenômeno não é classificado como tornado, permanecendo como nuvem funil.
Já no Vale do Itajaí, tempestades severas atingiram áreas do interior dos municípios de Luiz Alves e Apiúna, onde moradores registraram grande quantidade de granizo. As imagens mostram pedras de gelo de maior diâmetro, com acúmulo significativo na superfície.

Dados do radar meteorológico de Lontras indicam que o temporal ganhou força rapidamente nas proximidades de Luiz Alves por volta das 16h40. Os altos valores de refletividade, superiores a 40 dBZ, evidenciam a intensidade da tempestade. Esse tipo de intensificação rápida é comum nesta época do ano, devido às altas temperaturas e à grande disponibilidade de umidade na atmosfera.
Ainda conforme as imagens do radar, o produto de refletividade diferencial (ZDR) apresentou valores negativos entre 0 e -0,5, padrão que indica a presença de granizo de grande porte, com diâmetro superior a 5 centímetros, capaz de causar danos significativos em estruturas e lavouras.
A Defesa Civil segue monitorando as condições meteorológicas e reforça a importância de acompanhar os alertas oficiais, especialmente durante períodos de calor intenso, quando há maior risco de temporais severos.
