Caros leitores,

Recentemente temos acompanhado a luta dos guerreiros da boleia — caminhoneiros que deixam suas famílias para fazer o nosso país prosperar. Viajam milhares de quilômetros, expostos a inúmeros perigos: rodovias esburacadas, assaltos nas estradas e também a exploração nos escritórios, onde o frete é negociado abaixo do custo real.

Hoje, o frete no Brasil está cerca de 10% defasado, mesmo após a atualização da tabela mínima da ANTT. A próxima revisão só ocorrerá em julho, e até lá esses trabalhadores terão que se virar para manter suas atividades. E vale ressaltar: mesmo com a nova tabela, ainda pode haver defasagem. Estamos testemunhando uma grande falta de respeito com essa classe de profissionais que tanto contribui para o progresso da nação.

Além da baixa remuneração e da desvalorização da profissão, os caminhoneiros também enfrentam a insegurança nas estradas. Segundo a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), cerca de 32% dos caminhoneiros autônomos já foram vítimas de assaltos ou tentativas de roubo. Esse dado foi apresentado à Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados em dezembro de 2025.

Os números só crescem, e acompanhamos quase diariamente notícias de caminhoneiros sendo amarrados e agredidos. Pergunto a você, leitor: até quando iremos fechar os olhos para esses profissionais que tanto contribuem e se arriscam nas rodovias? Quantos mais terão que morrer para que lhes sejam dadas boas condições de trabalho?

A situação é ainda mais grave quando olhamos para a saúde mental. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Rio Verde em 2023, com 414 caminhoneiros no Centro-Oeste, identificou alta prevalência de sintomas de depressão, ansiedade e estresse, diretamente ligados a jornadas longas, má qualidade do sono e alimentação irregular.

Leitor, o que podemos fazer para reverter esses números? A resposta mais viável é simples e poderosa: valorização. Precisamos valorizar nossos guerreiros da boleia, reconhecer sua importância e lutar por melhores condições de trabalho e segurança.

Dedico essa coluna a todos os guerreiros da boleia

Autor: Douglas Correa | Memória histórica • Direitos humanos • Consciência social

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