Caro leitor, recentemente o mundo celebrou o Dia Internacional das Mulheres, uma data importantíssima, porém, mais uma vez, celebrada apenas na teoria. Na prática, só temos do que nos envergonhar: apenas no mês de janeiro deste ano, o Judiciário brasileiro registrou 947 novos casos de feminicídio. Quase 65% dos casos ocorrem dentro da própria casa da vítima; ou seja, onde a mulher deveria se sentir mais segura e amada é onde a violência é mais presente.

Acredite se quiser: o Brasil mantém uma média alarmante de quatro mulheres mortas por dia por razões de gênero. Com tudo isso, pergunto: até quando iremos continuar com os olhos fechados em relação a esses números vergonhosos? Onde iremos parar com esse massacre? Até quando as leis continuarão brandas na prática? De nada adianta ter tornado o feminicídio um crime autônomo se, em muitas delegacias, crimes contra mulheres ainda são registrados como homicídios comuns por falta de treinamento.

O poder público, muitas vezes, foca em remediar a situação, mas sabemos que nenhum remédio constitucional pode trazer a mulher assassinada de volta para seus entes queridos. Talvez você diga que temos delegacias em quase todas as cidades de Santa Catarina. Sim, temos, porém devolvo a pergunta: quantas são realmente especializadas? Santa Catarina conta com cerca de 32 DPCAMIs (chamadas DEAMs) distribuídas pelas principais cidades. Apenas 32 para 295 municípios. Está claro que estamos longe do ideal.

Oremos para que, em algum momento, o poder público mude esses números, pois as vidas das mulheres também importam. Dedico essa coluna às 1.568 mulheres vítimas de feminicídio em 2025.

Douglas Correa | Memória Histórica, Direitos Humanos e Consciência Social.

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