Caros leitores,
Vivemos tempos difíceis. Guerras se alastram pela Europa e, recentemente, uma onda de violência se intensificou no Oriente Médio. Mísseis cruzam os céus dia e noite, enquanto homens, mulheres e crianças passam seus dias lamentando essa desarmonia causada por divergências ideológicas. Conflitos que não apenas tiram vidas, mas também deixam famílias sem seus entes queridos e, muitas vezes, com a barriga vazia.
É um paradoxo cruel: existem recursos para financiar a guerra, mas não para combater a fome. Uma única unidade do drone militar Global Hawk custa a bagatela de 131 milhões de dólares. Se pensarmos no custo de alimentação anual, esse valor poderia sustentar aproximadamente 64 mil famílias durante 12 meses, considerando valores médios praticados no Brasil atualmente.
Enquanto bilhões são investidos em equipamentos de guerra, milhões de pessoas ainda enfrentam a fome diariamente. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a fome crônica atinge cerca de 673 milhões de pessoas, aproximadamente 8% da população mundial, que não recebem alimento suficiente todos os dias.
Esses números parecem, muitas vezes, ignorados por potências militares mergulhadas em seus próprios interesses e disputas geopolíticas. Enquanto alguns lutam por poder e influência, outros perecem entre escombros, vítimas de conflitos que não escolheram.
Diante disso, cabe uma reflexão: em algum momento a vida dos civis realmente importou? Não podemos olhar para a nacionalidade, tampouco para a etnia. Precisamos olhar para a humanidade de forma igualitária. Afinal, toda vida importa, e cada vida perdida representa um profundo retrocesso para todos nós.
Talvez o mundo precise de mais tolerância, mais diálogo e mais amor — e de menos muros. No entanto, antes de derrubar os muros físicos que dividem territórios, é necessário derrubar o maior de todos: o muro moral que ainda persiste na mentalidade de alguns líderes de nações, que optam por investir recursos na destruição em vez de na proteção da vida.
Até quando seremos testemunhas da perversidade e da indiferença diante da vida humana? Até quando drones milionários continuarão sendo utilizados para destruir, enquanto milhões lutam simplesmente para sobreviver?
Convido você, leitor, a refletir sobre o verdadeiro valor da vida. Temos apenas uma, e ela possui um valor absolutamente inestimável.
Douglas Correa | Memória Histórica, Direitos Humanos e Consciência Social.
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