O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou na manhã desta quinta-feira (7) a Operação “Sentinela”, em Blumenau. A investigação apura um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores públicos, empresários e operadores financeiros entre os anos de 2021 e 2024.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as investigações apontam a existência de uma organização criminosa estruturada para fraudar licitações, direcionar contratos públicos e desviar recursos da Prefeitura de Blumenau. O esquema envolveria contratos milionários nas áreas de segurança patrimonial, limpeza urbana e serviços especializados.

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De acordo com o GAECO, empresas investigadas receberam milhões em recursos públicos municipais após supostas manipulações nos processos licitatórios. As irregularidades incluiriam combinação prévia de preços, exclusão indevida de concorrentes e restrição da competitividade nos certames.

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Após a assinatura dos contratos, parte dos valores pagos pela administração pública teria retornado ilegalmente aos envolvidos no esquema, por meio de operações financeiras destinadas a ocultar a origem do dinheiro.

As investigações também identificaram o uso de notas fiscais simuladas, depósitos bancários fracionados e empresas interpostas, inclusive ligadas ao setor de combustíveis, para lavar os recursos desviados. Conforme documentos e mensagens analisadas, os valores eram posteriormente convertidos em dinheiro em espécie e entregues a agentes públicos e intermediários políticos.

Um dos principais focos da investigação envolve uma dispensa de licitação realizada após o ataque à Creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023, para contratação emergencial de serviços de vigilância armada e desarmada em escolas municipais.

Segundo o MPSC, informações sigilosas de propostas concorrentes teriam sido compartilhadas indevidamente, permitindo que a empresa vencedora apresentasse um desconto mínimo calculado estrategicamente para garantir o contrato, cujo valor ultrapassa R$ 9 milhões.

Com base nos indícios reunidos, a 14ª Promotoria de Justiça de Blumenau solicitou mandados de busca e apreensão, autorizados pela Vara Estadual de Organizações Criminosas. As ordens judiciais foram cumpridas em endereços residenciais e empresariais ligados aos investigados.

Durante a operação, foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que serão analisados pelo GAECO para aprofundar as investigações e identificar possíveis novos envolvidos.

A operação conta com apoio técnico da Polícia Científica de Santa Catarina e da Secretaria da Fazenda Estadual. O caso segue em sigilo judicial.

O nome “Sentinela” faz referência simbólica aos contratos de segurança investigados, especialmente aqueles ligados à proteção de unidades escolares após o atentado registrado na Creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau.

Fonte: 

Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC