A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou a ocorrência de um terceiro tornado associado à intensa linha de instabilidade que atravessou Santa Catarina na última quarta-feira (04), provocando rajadas de vento acima de 100 km/h em diferentes regiões. O fenômeno foi registrado no município de Rio Negrinho, no Planalto Norte, somando-se aos tornados já confirmados em Chapecó e Xanxerê, no Oeste catarinense.

No início da tarde, a linha de instabilidade avançou para o Planalto Norte e provocou danos em municípios da região. A passagem das tempestades sobre Rio Negrinho foi identificada pelos radares meteorológicos por volta das 13h30 (Figura 1).

Figura 1. Imagens do radar meteorológico de Teixeira Soares (PR) entre 13h16 e 13h31 de 04 de novembro de 2026, mostrando o deslocamento da linha de instabilidade sobre os municípios de Mafra e Rio Negrinho. Fonte: SIMEPAR.

A confirmação do tornado partiu da análise dos danos. Nas proximidades de Rio Negrinho, imagens aéreas identificaram uma faixa estreita de destruição em áreas de mata, com árvores quebradas e derrubadas em direções que convergem para o centro da trajetória (Figura 2). Esse padrão é característico de tornados: os ventos convergem para o centro da circulação e derrubam a vegetação em sentidos diferentes de cada lado do rastro. Também foram observadas araucárias com as copas danificadas, árvores arrancadas pela raiz e residências com telhados destruídos.

O rastro de danos em Rio Negrinho também apresentou limites bem definidos, com transição abrupta entre áreas fortemente atingidas e áreas com pouco ou nenhum dano, outra característica da passagem de tornados. Já as chamadas microexplosões, ventos fortes que descem da tempestade e se espalham ao atingir o solo, deixam um padrão de danos diferente, do tipo divergente, com as árvores caindo em direções que se afastam de um ponto central.

Com base nesses elementos, a SDC/SC confirma a ocorrência de um tornado em Rio Negrinho, na área rural a oeste do centro urbano, nas proximidades da BR-280. O tornado se formou dentro da própria linha de instabilidade que avançava sobre a região, por isso, mesmo no local do tornado, parte dos danos também foi provocada por essas rajadas mais lineares. Nos demais pontos do município, os danos estão associados principalmente às rajadas de vento da linha de instabilidade.

Figura 2. Imagens aéreas dos danos nas proximidades de Rio Negrinho: (a) faixa de árvores derrubadas às margens da rodovia; (b) araucária com a copa danificada e árvores arrancadas ao redor; (c) área com árvores quebradas e derrubadas em diferentes direções; (d) residências com telhados destruídos e vegetação derrubada. Fonte: SDC/SC.