Caro leitor, hoje vamos falar sobre a poluição que se propaga pelas ruas por meio dos pedidos de apoio a candidatos. Como é de conhecimento público, é autorizada a divulgação de propostas que, na maioria das vezes, nunca chegam a acontecer.

Temos uma curiosa situação descrita pela Folha de S.Paulo, por meio do chamado “Promessômetro”, que catalogou 103 compromissos assumidos por Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha de 2022. Na metade do mandato, em janeiro de 2025, 28% das promessas acompanhadas haviam sido concluídas, enquanto 29% estavam em andamento, 25% caminhavam lentamente e 17% estavam paradas.

Há ainda um estudo da Fundação Getulio Vargas que analisou os programas de governo de Bolsonaro e Lula. O levantamento identificou que Bolsonaro apresentou 134 promessas em seu programa de governo, mas apenas 26 foram mencionadas em eventos de campanha. No caso de Lula, foram identificadas 216 promessas, das quais 72 foram mencionadas durante eventos de campanha.

Não se trata de uma questão de esquerda ou direita, mas das promessas que muitas vezes são cumpridas pela metade e, em outras situações, acabam apenas poluindo as mídias sociais com vídeos sensacionalistas, inflamando a população e, muitas vezes, apresentando inverdades.

São dois problemas que afetam diretamente o nosso dia a dia. O ideal seria discutir formas de reduzir essa poluição visual que nos é imposta, muitas vezes, de forma excessiva.

Segundo a revista Exame, a poluição visual vem crescendo indiscriminadamente nos centros urbanos e é muitas vezes ignorada. Durante o período eleitoral, ocorre um aumento da poluição visual nas cidades, ocasionando a desestruturação e a perda da harmonia da paisagem urbana.

Um trabalho utilizou um questionário on-line para avaliar a percepção e a opinião de pessoas de vários estados brasileiros sobre a poluição visual gerada pelas propagandas eleitorais nas ruas e o grau de impacto que essa poluição exerce sobre as pessoas.

De forma geral, 94,4% das pessoas veem as propagandas políticas como poluição visual, deixando a cidade mais feia e causando problemas urbanísticos devido aos cavaletes e demais utensílios utilizados nas campanhas.

Em relação ao impacto psicológico, a maioria das pessoas, 42%, também apontou consequências. Assim, podemos perceber que não é de hoje que essa poluição vem afetando negativamente a população.

Convido você, leitor, a refletir comigo: quantas árvores são necessárias para produzir os santinhos e materiais utilizados em campanhas políticas? E quantas dessas propostas realmente saem do papel?

No fim das contas, de nada adianta apagar fogo com gasolina.

Douglas Correa

Memória Histórica • Direitos Humanos • Consciência Social • Escritor

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