Os terremotos que atingiram a Venezuela nesta semana provocaram comoção também em Santa Catarina, estado que abriga uma grande comunidade venezuelana. Segundo a Agência Brasil, com base em informações divulgadas pelo governo venezuelano, o número de mortes chegou a 1.430. O balanço também aponta 3.238 feridos. Os tremores registraram magnitudes de 7,5 e 7,2.
A tragédia mobilizou famílias que vivem longe do país de origem, mas que acompanham com preocupação a situação de parentes, amigos e comunidades atingidas. Em Santa Catarina, a presença venezuelana cresceu nos últimos anos, impulsionada por fatores como a economia diversificada, oportunidades de emprego e qualidade de vida.
De acordo com a Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família, Santa Catarina abriga atualmente mais de 100 mil imigrantes venezuelanos. Dados anteriores da Secretaria apontam que os venezuelanos são a maioria dos imigrantes no Estado, seguidos por argentinos e haitianos.
A maior concentração ocorre no Oeste, em cidades como Chapecó, e também no Litoral, na capital Florianópolis, além de municípios do Norte, como Joinville. No Alto Vale do Itajaí, a comunidade venezuelana também está presente em cidades como Rio do Sul, Pouso Redondo, Presidente Getúlio, Agrolândia e Trombudo Central.
Um dado que chama a atenção é que grande parte dos venezuelanos chega ao Estado em idade produtiva, principalmente entre 25 e 40 anos, o que contribui para a inserção em regiões com indústrias e oportunidades de trabalho. Ainda conforme levantamento divulgado pelo Governo do Estado, a maioria possui Ensino Médio completo e uma parcela também tem formação superior.
Dados da Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços apontam que trabalhadores de origem venezuelana lideraram a participação entre estrangeiros contratados em Santa Catarina ao longo de 2024. Os venezuelanos representaram 74,7% do saldo das contratações, com 14.135 novos funcionários empregados entre janeiro e dezembro do ano passado, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Diante da tragédia, manifestações de solidariedade também começaram a ser feitas na região do Alto Vale do Itajaí. Em Trombudo Central, a empresa FG Manutenção Industrial, que conta com cerca de 30 funcionários venezuelanos, publicou uma mensagem de apoio ao povo venezuelano nas redes sociais.
A manifestação ganhou ainda mais significado pelo vínculo direto da empresa com a comunidade venezuelana. Muitos dos colaboradores que atuam na FG têm familiares, amigos e histórias ligadas ao país atingido pelos terremotos, o que tornou a mensagem ainda mais sensível e próxima da realidade vivida por essas famílias.
No vídeo, um colaborador venezuelano aparece no escritório da empresa e fala em espanhol, com legendas em português. Com a bandeira da Venezuela em destaque, ele lamenta o momento vivido pelo país e transmite uma mensagem de apoio às famílias atingidas.
“Neste momento de tristeza e incerteza, quero expressar minha mensagem de solidariedade para meus irmãos venezuelanos. Nosso país está passando por uma situação muito difícil”, diz o colaborador em trecho do vídeo.
A mensagem também reforça o sentimento de união diante da tragédia. Na gravação, ele afirma que a empresa se solidariza com o povo venezuelano e destaca que, em momentos como esse, o apoio coletivo é fundamental.
“A empresa também expressa sua solidariedade, já que somos mais que uma companhia, somos união e solidariedade”, afirma.
Em nota, a FG Manutenção Industrial também manifestou apoio aos venezuelanos que enfrentam momentos de dor e sofrimento.
“Nós da FG Manutenção Industrial nos solidarizamos com todos os venezuelanos que enfrentam momentos de dor e sofrimento diante dessa tragédia, especialmente aqueles que perderam seus entes queridos. Que Deus possa trazer conforto aos corações das famílias, força para superar esse momento difícil e esperança para todos. Nossa solidariedade, respeito e apoio a todos vocês”, publicou a empresa.
A Prefeitura de Agrolândia também se manifestou em solidariedade ao povo venezuelano. Em uma publicação nas redes sociais, o município destacou que Agrolândia é lar de muitos venezuelanos que escolheram a cidade para recomeçar suas vidas.
“Neste momento de dor, unimos nossos corações em oração pelo povo venezuelano. Agrolândia é lar de muitos venezuelanos que escolheram nossa cidade para recomeçar suas vidas. Nossa solidariedade está com cada família atingida por este momento tão difícil”, diz a mensagem.
A publicação também trouxe um trecho em espanhol, direcionado aos venezuelanos que vivem no município.
“A nuestros hermanos venezolanos que viven en Agrolândia: Estamos orando por ustedes y por sus familias. Que Dios les dé fuerza, paz y protección en este momento tan difícil. Si alguno de ustedes tiene familiares afectados por el terremoto, reciban nuestro abrazo solidario y nuestras más sinceras condolencias. No están solos. Agrolândia está con ustedes.”
Na mensagem, a Prefeitura ainda pediu que Deus conforte as famílias que perderam entes queridos, fortaleça aqueles que enfrentam este momento de incerteza e conceda esperança para a reconstrução.
Além das manifestações de solidariedade, o Governo de Santa Catarina informou a criação de uma central de informações voltada aos imigrantes venezuelanos que vivem no Estado. O objetivo é oferecer orientação e acesso a informações oficiais sobre a situação no país, incluindo dados sobre vítimas, áreas afetadas e ações de atendimento às famílias.
A central pode ser acionada pelo telefone e WhatsApp (48) 3664-0606, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h.
A tragédia na Venezuela ultrapassa fronteiras e toca diretamente milhares de famílias que hoje vivem em Santa Catarina. No Alto Vale, as mensagens de apoio reforçam uma demonstração de acolhimento, respeito e solidariedade à comunidade venezuelana.


