A Polícia Civil detalhou nesta terça-feira (10) a investigação que resultou na condução de oito pessoas à delegacia após o sequestro de um funcionário de uma agência bancária de Rio do Oeste. Segundo a DIC de Rio do Sul, cinco homens foram presos e três mulheres acabaram liberadas por questões previstas na legislação. A investigação revelou ainda que familiares das vítimas foram usados como “cativeiro móvel”, que um suspeito manteve uma mulher e um bebê em cárcere privado durante a fuga e que um morador de Rio do Sul foi preso por supostamente auxiliar o grupo criminoso.

De acordo com a Polícia Civil, criminosos armados invadiram a residência do funcionário bancário na noite de segunda-feira (8) e mantiveram os moradores sob ameaça até a manhã seguinte. O objetivo do grupo era obter dinheiro da agência bancária por meio da extorsão da vítima.

Conforme a investigação, perto do amanhecer, os familiares foram retirados da residência e utilizados como um “cativeiro móvel” enquanto os criminosos aguardavam que o funcionário fosse até a agência para retirar os valores exigidos. A ação, porém, acabou frustrada pela mobilização das forças de segurança.

Ao perceberem que a polícia já atuava no caso, os criminosos abandonaram os reféns em uma clareira na Serra Tomio, em Laurentino, e fugiram levando o veículo de uma das vítimas.

Segundo a DIC, o grupo seguiu para Rio do Sul, onde abandonou o automóvel roubado às margens da BR-470. Na sequência, os suspeitos deixaram um Fiat Mobi no bairro Progresso e atearam fogo no interior do veículo antes de continuar a fuga em um Chevrolet Onix pela SC-350, em direção à Grande Florianópolis.

Três integrantes do grupo foram presos pela Polícia Militar em um posto de combustíveis de Alfredo Wagner. Durante a abordagem, duas armas de fogo foram apreendidas. Outros dois suspeitos conseguiram fugir para uma área de mata.

Durante a fuga, um dos criminosos invadiu uma residência nas proximidades e manteve uma mulher e um bebê com menos de um ano de idade em cárcere privado. Ainda conforme a investigação, ele realizou contatos para que terceiros fossem até o local resgatá-lo.

A Polícia Civil informou que o suspeito acabou sendo retirado da região por ocupantes de um veículo Mercedes-Benz C180 e de uma motocicleta Honda XRE que teriam saído da Grande Florianópolis exclusivamente para prestar auxílio na fuga. O automóvel foi interceptado por equipes da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Rancho Queimado, onde o quarto integrante da quadrilha foi preso. Já a motocicleta foi abordada com apoio do helicóptero Águia quando chegava a Palhoça.

Paralelamente às buscas, um quinto suspeito foi preso no bairro Bremer, em Rio do Sul. Segundo a DIC, ele teria hospedado os integrantes do grupo durante o período de preparação do crime.

Ao todo, oito pessoas foram conduzidas à delegacia. Cinco homens permaneceram presos e três mulheres foram liberadas. Duas delas eram mãe e companheira de um dos investigados e, conforme prevê o Código Penal, são isentas de pena no crime de favorecimento pessoal quando praticado em benefício de familiar.

Já a terceira mulher, que não possuía vínculo familiar com o suspeito, foi autuada por meio de termo circunstanciado pelo crime de favorecimento pessoal. Como a pena prevista é inferior a dois anos, a legislação não permite a prisão em flagrante nessa situação.

Segundo a Polícia Civil, os presos responderão por crimes como extorsão mediante sequestro qualificada, roubo majorado e cárcere privado qualificado. Com exceção do homem preso em Rio do Sul, todos os demais investigados residem na região da Grande Florianópolis e têm entre 21 e 25 anos.

As investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias do caso. A partir de agora, os trabalhos serão conduzidos pela Delegacia de Roubos e Antissequestro da DEIC.