Caro leitor,

Quero convidá-lo hoje a refletir sobre as recentes notícias envolvendo o enriquecimento e a ostentação de alguns líderes religiosos. Evidentemente, não estamos falando de todos. No entanto, é cada vez mais comum vermos determinados religiosos emocionando-se diante das câmeras enquanto pedem apoio financeiro para adquirir aeronaves, carros de luxo e até mesmo comercializam produtos supostamente sagrados, como areia do deserto.

Infelizmente, os bons acabam pagando pelos maus. Por isso, é importante separar o joio do trigo.

Solicitar contribuições para adquirir bens destinados ao próprio conforto contraria os ensinamentos das Escrituras. Em Miquéias 3:11, lemos:

“Os seus chefes julgam por suborno, os seus sacerdotes ensinam por interesse e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se apoiam no Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá.”

Há outros exemplos. Em 1 Timóteo 6:5-10, o apóstolo Paulo alerta contra aqueles que consideram a piedade uma fonte de lucro. E conclui com uma advertência conhecida:

“O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males.”

Diante disso, o que pensar? O que fazer quando esse comportamento parte justamente de líderes religiosos que deveriam priorizar o amor ao próximo, e não o próprio bolso ou o status pessoal?

Quantos “web-líderes” propagam sua vaidade utilizando a Palavra de Deus? Esquecem-se de que, na mesma Palavra que pregam, está escrito em Salmos 62:9:

“Certamente os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de posição elevada são mentira; pesados em balança, juntos são mais leves do que a vaidade.”

É preciso ter cuidado com os “web-lobos”, aqueles que desejam apenas que você terceirize sua fé enquanto acumulam curtidas, seguidores e visibilidade. Não são todos, mas muitos parecem mais preocupados com a própria imagem do que com a missão que afirmam defender.

Vivemos tempos em que alguns vendem promessas vazias, como se comercializassem nuvens no céu a preços superfaturados. Andar como Jesus andou e amar como Jesus amou torna-se um discurso difícil de sustentar quando determinados líderes afirmam precisar de um jatinho para pregar a Palavra.

Jesus Cristo, nosso Salvador, percorreu grandes distâncias a pé durante seu ministério, pregando em cidades e aldeias da Galileia, Samaria e Judeia. Estima-se que tenha caminhado centenas de quilômetros ao longo de cerca de três anos. Em sua última jornada, na Via Dolorosa, em Jerusalém, carregou a cruz por aproximadamente 500 a 900 metros até o Gólgota.

Por isso, deixo uma pergunta ao leitor: existe algum “web-líder” disposto a caminhar ao menos um quilômetro para levar sua mensagem?

Lembrando que caminhadas no metaverso não contam.

Douglas Corrêa

Memória Histórica • Direitos Humanos • Consciência Social

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