Caro leitor,
Hoje vamos falar sobre a BR-470, uma das rodovias mais importantes de Santa Catarina. Ela tem início no município de Navegantes, no entroncamento com a BR-101, próximo ao Aeroporto Internacional de Navegantes e ao acesso ao Porto de Itajaí. Ao longo de seu percurso, corta o Vale do Itajaí, passando por cidades importantes como Navegantes, Itajaí, Ilhota, Blumenau, Ibirama, Campos Novos, entre outras.
Mas será exagero chamá-la de “rodovia da morte”? Ao observarmos os números, talvez não.
Em 2025, a BR-470 registrou 101 mortes em acidentes de trânsito no trecho catarinense, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Foi a segunda rodovia mais letal do estado, atrás apenas da BR-101.
A cada ano, a situação parece se tornar mais preocupante. Afinal, o problema é a rodovia ou o comportamento dos motoristas que a utilizam?
Esses números evidenciam a gravidade da situação, especialmente por se tratar de uma rodovia com longos trechos de pista simples, intenso fluxo de caminhões, grande volume de veículos de passeio e poucos equipamentos de fiscalização eletrônica.
No dia 4 de agosto de 2026, uma tragédia chocou a região: duas crianças morreram após serem atropeladas ao tentar atravessar a BR-470. O acidente reacendeu o debate sobre a necessidade de mais investimentos em segurança, como redutores de velocidade, melhor sinalização e outras medidas de proteção aos pedestres.
Não podemos esperar que novas tragédias aconteçam para que providências sejam tomadas. Na teoria, tudo parece simples; na prática, vidas continuam sendo perdidas.
Em Ibirama, no km 115, próximo à ponte, no sentido Apiúna, existe um trecho reto onde, segundo relatos de moradores, muitos motoristas trafegam em alta velocidade, como se estivessem em uma pista de corrida. É uma situação conhecida por quem passa diariamente pelo local.
É lamentável quando o poder público demonstra lentidão diante de problemas que colocam em risco a vida de pedestres e motoristas. Convido você, leitor, a observar esse trecho e refletir: quantas vidas ainda precisarão ser perdidas para que medidas efetivas sejam adotadas?
Precisamos de mais fiscalização, mais controle de velocidade e, acima de tudo, mais compromisso com a preservação da vida.
Douglas Corrêa
Memória histórica • Direitos humanos • Consciência social • Escritor
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