Caros leitores,

Mais uma vez, estamos vivenciando um momento de instabilidade no Brasil. Desta vez, a atenção se volta ao Poder Judiciário, especialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), instituição que ocupa um papel fundamental na democracia brasileira e na preservação da Constituição Federal.

Entretanto, é impossível ignorar a insatisfação de grande parte da população com o funcionamento da Justiça no país. Um Judiciário frequentemente criticado pela lentidão de seus processos, pela falta de respostas rápidas e, em determinadas situações, pela percepção de decisões que não transmitem à sociedade a necessária imparcialidade. Essa realidade contribui para o enfraquecimento da credibilidade das instituições e para o aumento da desconfiança dos brasileiros.

Nos últimos acontecimentos, novamente o STF esteve no centro das atenções, diante de julgamentos e decisões que despertam discussões em toda a sociedade. Para muitos cidadãos, existe a sensação de que determinados assuntos se prolongam indefinidamente, sem que haja consequências concretas ou respostas capazes de atender às expectativas populares.

É justamente nesse ponto que surge uma reflexão importante: que país estamos construindo?

O Brasil, infelizmente, carrega há décadas a fama de ser uma “República de Banana”, expressão utilizada para representar um país onde as instituições muitas vezes parecem funcionar de maneira desigual. Enquanto cidadãos comuns podem enfrentar severas consequências por pequenos delitos, existe a percepção de que pessoas poderosas conseguem prolongar indefinidamente processos e discussões jurídicas, muitas vezes sem que a sociedade enxergue resultados proporcionais.

Não se trata de defender a impunidade para qualquer cidadão. Muito pelo contrário: uma sociedade justa precisa garantir que todos respondam por seus atos dentro da lei, independentemente de sua posição social, econômica ou política.

O grande problema está justamente na desigualdade de tratamento que muitos brasileiros percebem diariamente.

O cidadão comum, aquele que trabalha, paga impostos e luta para sustentar sua família, frequentemente se sente abandonado pelas instituições. Enquanto isso, acompanha pela televisão discussões intermináveis envolvendo autoridades, decisões judiciais complexas e disputas políticas que parecem distantes da realidade de milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades para pagar suas contas, conseguir atendimento médico, garantir educação aos filhos ou simplesmente viver com dignidade.

Mas existe uma verdade que também precisa ser dita: o problema do Brasil não está apenas nos políticos, nos ministros ou nas instituições. O problema também está em nós, brasileiros.

Durante anos, permitimos que a política fosse tratada como um espetáculo, acompanhamos discussões partidárias como se fossem torcidas de futebol e deixamos de lado a responsabilidade de cobrar efetivamente aqueles que elegemos e aqueles que ocupam cargos públicos.

Se os brasileiros conhecessem melhor seus direitos constitucionais, acompanhassem as decisões dos poderes públicos e exigissem transparência de seus representantes, certamente teríamos uma sociedade mais consciente e participativa.

A democracia não termina no momento em que depositamos nosso voto na urna. Pelo contrário, é a partir daquele momento que começa a nossa responsabilidade como cidadãos.

Precisamos deixar de aceitar passivamente situações que comprometem a confiança nas instituições. Precisamos aprender a questionar, fiscalizar e cobrar. Não podemos continuar elegendo representantes e, depois, simplesmente esquecer que eles existem até a próxima eleição.

Da mesma forma, é fundamental compreender que criticar uma instituição não significa atacar a democracia. Pelo contrário, instituições democráticas devem estar abertas ao debate, à fiscalização e à crítica da sociedade. Nenhum poder pode estar acima da Constituição, da transparência e da responsabilidade pública.

O Brasil precisa recuperar a confiança de seu povo. E essa confiança não será reconstruída apenas por discursos políticos ou decisões judiciais. Será necessário demonstrar, na prática, que a Justiça é para todos, que as leis possuem o mesmo peso e que nenhum cidadão está acima das regras que regem a nossa sociedade.

Enquanto continuarmos divididos, brigando entre nós e defendendo cegamente interesses políticos, aqueles que realmente deveriam ser cobrados continuarão encontrando espaço para agir sem a fiscalização necessária.

O futuro do Brasil depende, em grande parte, da maturidade de seu povo.

Não podemos esperar mudanças enquanto permanecermos calados diante dos problemas. A transformação começa quando o cidadão deixa de ser apenas espectador e passa a exercer seu verdadeiro papel dentro de uma democracia.

Que possamos refletir sobre o país que queremos deixar para as próximas gerações. Um Brasil onde a Justiça seja realmente respeitada, onde as instituições tenham credibilidade e onde todos, independentemente de quem sejam, respondam perante a lei.

Porque, no final das contas, a mudança que tanto esperamos do Brasil também precisa começar dentro de cada um de nós.

Douglas Correa
Memória histórica • Direitos humanos • Consciência social • Escritor

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