Caro leitor,

Com a proximidade do Dia do Trabalhador, não poderia deixar de falar sobre essa nobre classe que contribui diretamente para o progresso do país. Trata-se de uma classe essencial, mas, ao mesmo tempo, frequentemente desvalorizada.

Sabemos que a máquina estatal, muitas vezes, suga mais o suor do trabalhador do que reconhece sua contribuição. Segundo a FEBRABAN, um trabalhador brasileiro paga, em média, o equivalente a cerca de 37% a 41% da sua renda anual em impostos. Isso significa trabalhar aproximadamente de 147 a 149 dias por ano apenas para quitar tributos — incluindo impostos diretos, como o Imposto de Renda, e indiretos, embutidos nos preços de produtos e serviços.

Gostaria que isso fosse uma piada, mas, infelizmente, é a realidade deste país chamado Brasil, que sabe arrecadar, mas pouco investe na qualidade de vida do trabalhador. Nossos representantes pouco ou nada fazem para mudar esse cenário. Tenho visto muitos prometerem ser diferentes; antes de entrarem na política, alguns olhos até brilhavam. Porém, após a posse, esse brilho se apaga e dá lugar às cifras, esquecendo do trabalhador que tanto acreditou na mudança.

Mais uma vez, esse trabalhador é enganado pela falta de caráter de alguns que se intitulam representantes da causa trabalhista. Até quando, amigo leitor, vamos perpetuar essa situação? Até quando vamos inflar a máquina pública e sobreviver de migalhas?

O Brasil é um país rico — rico em oportunidades e também na alta carga tributária. Programas sociais são, em teoria, admiráveis, mas, na prática, muitas vezes se tornam superficiais e ineficazes. Se o sistema realmente se importasse com o trabalhador, não teríamos pessoas sobrevivendo com salários defasados, enquanto outros desfrutam de mesas fartas e esbanjam no exterior.

No dia 1º de maio, devemos, sim, celebrar. Mas é importante reconhecer que ser trabalhador no Brasil é como ser honesto: todos sabem da importância, mas poucos realmente valorizam.

E como se não bastasse, segundo a KPMG, cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros já sofreram algum tipo de assédio no ambiente de trabalho, sendo o assédio moral ou psicológico o mais comum. Em 2025, mais de 142 mil processos por assédio moral foram registrados na Justiça do Trabalho.

Ser trabalhador no Brasil não é fácil. Ainda assim, o brasileiro é um povo forte e resiliente: acorda às 5 da manhã, enquanto seu chefe, muitas vezes, levanta às 8 para iniciar o dia com conforto, enquanto o trabalhador, por vezes, tem apenas o básico em sua mesa.

A mudança e a valorização da classe trabalhadora precisam começar por nós — pelas novas gerações — para que as próximas sejam, de fato, valorizadas na prática, e não apenas na teoria.

Todos nós vemos, na televisão e na internet, campanhas de valorização, mas sabemos que, na realidade, nem sempre é assim. Por isso, deixo uma reflexão: será que tudo que reluz é ouro? As políticas públicas são realmente eficientes? A alternância de poder trouxe melhorias concretas para a vida do trabalhador?

Reflitam.

Que Deus abençoe todos os trabalhadores do Brasil e do mundo.

Em nome do Senhor Jesus Cristo, amém.

Douglas Correa

Escritor – Memória Histórica • Direitos Humanos • Consciência Social

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