Caro leitor,

Como temos acompanhado nos últimos meses, o acirramento da polarização entre esquerda e direita tem se tornado cada vez mais evidente. Enquanto verbas bilionárias são destinadas às campanhas eleitorais, quando olhamos para áreas essenciais, como saúde e educação, vemos que, muitas vezes, são destinadas apenas migalhas, como se a população estivesse sendo tratada com desprezo.

É muito triste ver essa situação acontecer em um país tão grande e tão lindo, mas, ao mesmo tempo, tão desassistido por suas autoridades e cada vez mais dividido entre direita e esquerda.

Hoje, parece que já não se pode mais manifestar uma opinião sem correr o risco de ser atacado verbalmente. Seja você de direita ou de esquerda, muitas vezes acaba sendo ofendido, desrespeitado ou até mesmo denegrido por pensar diferente. Afinal, desde quando discordar de alguém passou a ser motivo para tanta hostilidade?

Recentemente, acompanhamos reportagens aqui mesmo no Alto Vale mostrando homens e mulheres brigando por causa de política. Uma situação bastante ridícula, mas, acima de tudo, triste. Pessoas que deveriam conviver em harmonia acabam se tornando inimigas por causa de ideias e posições políticas.

Outro aspecto preocupante é a idolatria a políticos, quando algumas pessoas parecem colocar sua fé e devoção em homens, em vez de direcioná-las a Jesus Cristo. Afinal, todos somos falhos, e nenhum político deveria ocupar o lugar que pertence à nossa fé. Precisamos utilizar nossas crenças para promover o bem, fortalecer nossas igrejas, dedicar-nos às orações e cultivar valores como o amor, o respeito e a solidariedade.

Enquanto isso, muitos daqueles que disputam ou ocupam posições de poder desfrutam de mesas fartas e ceias abundantes, mas demonstram ter corações vazios de amor e cheios de intolerância. Infelizmente, esse comportamento acaba sendo reproduzido por parte dos próprios eleitores, que passam a defender seus candidatos de maneira cega, como verdadeiros extensores de suas disputas políticas.

O chamado efeito manada contribui para esse cenário, levando pessoas a perderem o senso crítico e a agirem como verdadeiros zumbis, brigando por questões eleitorais e por disputas que, muitas vezes, não acrescentam nada de positivo às suas vidas. São pessoas facilmente manipuladas, que deixam de refletir por conta própria e passam a reproduzir discursos e comportamentos sem questioná-los.

Diante de tudo isso, precisamos retomar nossas vidas após o encerramento das eleições. Precisamos voltar a olhar para nossas famílias, nossos amigos, nosso trabalho e nossos projetos pessoais. Precisamos compreender que a política faz parte da sociedade, mas não pode se tornar o centro de nossa existência, muito menos um motivo para romper amizades, destruir relações familiares ou alimentar o ódio entre as pessoas.

A política nunca pode ser tudo.

Precisamos aprender a conviver com as diferenças, respeitar as opiniões alheias e entender que ninguém deveria ser tratado como inimigo apenas por escolher um candidato diferente.

Afinal, depois que as eleições terminam, a vida continua. Os problemas do país permanecem, as necessidades da população continuam existindo e os políticos seguem seus caminhos. Mas nós, cidadãos, precisamos continuar vivendo, trabalhando e construindo nossas histórias.

Fica, portanto, a reflexão: existe vida após as eleições? Sim, existe. E precisamos aprender a vivê-la sem permitir que a política nos roube a paz, a consciência e a humanidade.

Douglas Correa — Memória histórica • Direitos humanos • Consciência social • escritor

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