Caros leitores,
A recente divulgação, pelo governo dos Estados Unidos, de vídeos sobre uma suposta perseguição entre caças e objetos não identificados trouxe novamente uma velha discussão: estamos sozinhos no universo?
Bom, é certo que não podemos afirmar isso. Afinal, muitos acreditam que nosso Criador não teria feito um universo tão grande para deixá-lo vazio. Essa é a tese dos que defendem a possibilidade de vida extraterrestre. Por outro lado, há aqueles que afirmam que tudo isso não passa de fantasia ou histórias criadas pela imaginação humana.
Precisamos concordar que ambos os lados possuem argumentos. Porém, essa reflexão se torna perigosa quando esquecemos de cuidar do planeta em que vivemos. De nada adianta se maravilhar com outros mundos enquanto a Terra se deteriora aos poucos por causa da indiferença com a conservação das águas, das florestas e até mesmo diante da fome.
Gastam-se milhões para procurar vida microscópica em outros planetas, enquanto a vida humana recebe apenas migalhas. Até quando vamos valorizar o quintal do vizinho e abandonar o nosso?
Um exemplo disso é o bilionário russo , um dos investidores mais ativos na busca por vida fora da Terra. Ele anunciou um investimento de US$ 100 milhões para pesquisas sobre vida extraterrestre, com apoio de cientistas renomados. Ou seja: 100 milhões destinados à procura de algo incerto, que não exige urgência imediata. Enquanto isso, a vida humana continua esperando.
Pessoas morrem de fome todos os dias. Famílias reviram lixo em busca de comida para sobreviver, mas poucos se importam. Afinal, a prioridade parece ser a corrida espacial e a busca por vida fora da Terra, como se um “ET verdinho” fosse aparecer para mandar a humanidade criar vergonha na cara e começar a valorizar mais a própria casa.
Segundo relatórios internacionais sobre segurança alimentar, bilhões de pessoas ainda não conseguem ter acesso a uma alimentação nutritiva. Além disso, os índices de anemia entre mulheres e os problemas relacionados à nutrição seguem crescendo em diversas partes do mundo.
Com todos esses problemas, ainda continuamos procurando ETs. Por que não resolver primeiro os problemas daqui?
Convido você, leitor, a refletir comigo: vale a pena procurar vida em outro planeta enquanto o nosso está à beira do colapso por tanta miséria? Vale a pena alimentar ideias mirabolantes baseadas em vídeos muitas vezes duvidosos?
Precisamos reorganizar nossas prioridades. Enquanto investirmos milhões na busca por vida extraterrestre e deixarmos nosso povo morrer de fome, talvez não sejamos capazes de encontrar vida inteligente em outro lugar — porque ainda não aprendemos a agir com inteligência aqui.
Douglas Correa
Memória histórica • Direitos humanos • Consciência social
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