Caro leitor, hoje quero trazer a você os mais recentes números destinados à propaganda política em 2026. O Fundo Eleitoral (FEFC) terá R$ 4.961.519.777,00, ou seja, aproximadamente R$ 4,96 bilhões de dinheiro público destinados ao financiamento das campanhas.
Esse dinheiro pode ser utilizado em diversas despesas de campanha, inclusive na produção de vídeos, materiais de propaganda, publicidade, jingles, internet e impulsionamento, desde que respeitadas as regras eleitorais. A própria Lei das Eleições inclui a produção de programas de rádio, televisão e vídeo, além de publicidade na internet, entre os gastos eleitorais.
Parece uma piada, não é? Mas é real.
Enquanto isso, temos homens, mulheres e crianças morrendo de fome e também sofrendo por falta de tratamento digno na saúde. Muitas vezes, é preciso acionar a Justiça para que sejam fornecidos medicamentos que, quase sempre, são indeferidos ou chegam tarde demais.
A saúde sofre com uma desnutrição fortíssima, sem falar da educação, área em que o Brasil ainda investe pouco por aluno. Enquanto a média dos países da OCDE chega a cerca de US$ 11.914 por estudante, o Brasil investe apenas US$ 3.668 — aproximadamente 69% menos.
Em 2024, o orçamento do Inep também sofreu uma redução de cerca de 25%, mostrando que, além do baixo investimento por aluno, existem momentos de redução de recursos para áreas estratégicas da educação.
Educação não pode ser tratada como gasto, e sim como investimento no futuro do país.
Precisamos mudar. Precisamos investir no povo. Afinal, o dinheiro é do povo.
Seus representantes deveriam custear suas próprias campanhas, afinal de contas, seus salários são astronômicos. E o povo, você sabe, nobre leitor, recebe sempre as migalhas.
R$ 4,96 bilhões é um tapa na cara de cada um de nós que trabalhamos uma vida inteira e, muitas vezes, nos aposentamos com apenas um salário mínimo.
Enquanto isso, o povo assiste a seus representantes desbravarem os céus em seus voos.
Até quando o povo irá permitir esses valores destinados à propaganda política?
O silêncio sobre esse tema é preocupante.
Precisamos mudar isso. Nosso dinheiro não pode ser desperdiçado. Precisamos de mais educação, mais saúde e mais dignidade para as pessoas em situação de vulnerabilidade.
Somente pensando no povo podemos construir um país que realmente possa ser considerado de primeiro mundo.
Se pegássemos esse valor e o comparássemos ao valor anual mínimo de R$ 10.193,74 por aluno, previsto no Fundeb para 2026, esse dinheiro equivaleria ao financiamento anual de aproximadamente 486 mil estudantes.
Enquanto bilhões circulam na política, fica a pergunta:
Quantas crianças poderiam ter uma educação melhor se esse dinheiro fosse investido onde realmente transforma vidas?
Educação tem que ser prioridade.
Douglas Correa
Memória histórica • Direitos humanos • Consciência social • Escritor
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