Caro leitor,

Muito vemos nas mídias sociais, na televisão e até em rodas de conversa pessoas falando sobre o amor ao próximo. Esse amor, porém, sofre uma grave desidratação nos dias de hoje.

Na década passada, fazer o bem significava ajudar sem esperar nada em troca. Hoje, parece que fazer o bem exige uma gravação. Infelizmente, muitas pessoas já não conseguem praticar um gesto de solidariedade sem registrá-lo. Alguns alegam que o fazem para arquivos internos, mas, de uma forma ou de outra, acabam expondo pessoas, famílias e situações delicadas.

É complicado afirmar que isso faz diferença. Será que realmente faz? Ou será apenas uma forma de inflar o próprio ego? Arrisco dizer que, muitas vezes, é uma tentativa de diminuir a própria indiferença em relação ao próximo.

De uma coisa tenho certeza: quando as luzes das câmeras se apagam, o amor ao próximo também parece desaparecer. É uma triste realidade. Muitos já não fazem o bem por amor, mas por fama, reconhecimento e curtidas. Isso nada tem a ver com a mensagem de Mateus 25:35-45.

Fazer o bem deve ser um gesto verdadeiro, vindo do coração. Não se pode transformar a dor alheia em espetáculo. Expor famílias em momentos de sofrimento é algo lamentável. Infelizmente, grande parte da sociedade parece mais preocupada com os “likes” do que com o bem-estar do próximo.

Um exemplo da falta de humanidade está nos enormes investimentos destinados às guerras. O atual governo dos Estados Unidos pretende ampliar os recursos destinados às operações militares, enquanto bilhões de dólares continuam sendo gastos em conflitos armados. Dinheiro para destruir parece nunca faltar; entretanto, quando se trata de projetos sociais realmente eficazes, os recursos são escassos.

Caro leitor, matar, roubar e destruir é papel de quem? Vivemos tempos obscuros. Precisamos refletir com urgência e promover uma verdadeira mudança de valores.

A América do Sul permanece polarizada. A América do Norte continua disputando interesses estratégicos ao redor do mundo. A Europa enfrenta ondas de calor cada vez mais intensas. Diante desse cenário, resta a pergunta: o que será de nós? Será que chegaremos a 2050 tendo aprendido a valorizar mais a vida do que o poder?

Douglas Correa

Douglas Correa
Memória histórica • Direitos humanos • Consciência social • Escritor

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