Os Laklãnõ-Xokleng são um povo indígena pertencente ao tronco linguístico Jê. Muito antes da chegada dos colonizadores europeus, ocupavam extensas áreas da Mata Atlântica no Sul do Brasil, principalmente nos atuais estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Esse povo vivia da caça, da pesca, da coleta de frutos e do cultivo de pequenas roças, mantendo uma relação harmoniosa com a natureza. Entretanto, com a chegada dos colonizadores, passaram a sofrer perseguições, expulsões e diversas formas de violência.

Ao analisarmos a história, surge uma reflexão: será que ela foi justa com os povos indígenas do Alto Vale? Dizer que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil é uma afirmação cada vez mais questionada. Durante muitos anos aprendemos que o Brasil foi descoberto em 1500, quando uma expedição portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral chegou ao litoral do atual estado da Bahia, em 22 de abril daquele ano. No entanto, quando os portugueses chegaram, encontraram uma terra já habitada por milhões de indígenas.

São esses mesmos povos originários que, ainda hoje, muitas vezes vivem confinados em pequenas áreas de terra, enfrentando dificuldades, promessas não cumpridas e, em alguns casos, até a insegurança alimentar. É lamentável ver os povos originários serem tratados dessa forma. O desmatamento afeta diretamente seu modo de vida, mas a indiferença continua sendo uma das maiores dores enfrentadas por essas comunidades.

Em José Boiteux, estima-se que vivam aproximadamente 2.200 indígenas na Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, distribuídos em cerca de 878 famílias. A maior parte dessa população é formada pelo povo Laklãnõ-Xokleng, além de comunidades Kaingang e Guarani Mbya.

Também é importante lembrar que algumas famílias acabam ficando isoladas durante períodos de cheia, consequência de problemas históricos relacionados aos estudos realizados na época da construção da barragem. Conter enchentes é necessário, mas não podemos ignorar as dificuldades enfrentadas pelas comunidades indígenas afetadas.

Precisamos parar de julgar e exercer mais empatia com os povos originários desta nação tão próspera e, ao mesmo tempo, muitas vezes tão indiferente. Afinal, grande parte da população brasileira é formada por descendentes de povos que chegaram depois.

Segundo o relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2024”, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), com base em informações da Secretaria Especial de Saúde Indígena, do Sistema de Informação sobre Mortalidade e de secretarias estaduais de saúde, 211 indígenas foram assassinados em 2024. Também foram registrados 20 casos de ameaça de morte, 35 de outras ameaças e 39 casos de racismo e discriminação étnico-cultural, além de diversas outras formas de violência.

Os números assustam e, infelizmente, continuam elevados. Precisamos valorizar, respeitar e defender os direitos dos povos originários, agindo com menos preconceito e mais compreensão quando reivindicam aquilo que consideram essencial para sua sobrevivência e dignidade.

Todos têm direito a um teto.

Tupã tohovasa opavavépe — Deus abençoe a todos.

Douglas Correa

Memória histórica • Direitos humanos • Consciência social

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